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Editorial

Neste número de Revista Força Aérea, apresentamos uma reportagem sobre o Sukhoi PAK FA, considerado por alguns como a resposta russa aos avanços tecnológicos norte-americanos que desembocaram no Lockheed-Boeing F-22 Raptor. No entanto, enquanto o caça da USAF já se encontra em uso em unidades de combate, com sua vida operativa e industrial definida, o avião russo está na infância de seu processo de desenvolvimento. O financiamento do programa – se será todo realizado com orçamento russo e indiano, ou se serão buscados outros parceiros, e até se ele realmente existirá – ainda é questionado. Sua eficiência na ordem de batalha russa também é dúvida. E aí a pergunta é: Quando estará disponível, testado e homologado? E como estarão seus potenciais rivais nas arenas de combate futuras? Aparentemente, o programa russo é reativo, o novo avião parecendo ser um esforço para recuperar o tempo perdido para o domínio norte-americano da tecnologia stealth e para o ambiente de cabine de total fusão de dados e de guerra centrada em redes, já compreendido e em plena ativação no Ocidente.
Enquanto os estrategistas e cientistas russos desenvolvem um caça que poderá ser capaz de equilibrar uma situação atual, ficam no ar as perguntas: “E seus rivais? O que estão fazendo? O que estão vislumbrando? O que estão pensando?”
Os ciclos tecnológicos são muito mais velozes hoje em dia do que no passado, e se as aeronaves demoram mais tempo para serem projetadas, desenvolvidas, testadas e homologadas, suas tecnologias avançam muito mais rapidamente do que no passado.
O Ocidente vem pensando sua guerra do futuro de forma sistêmica, compreendendo os ambientes nos quais ocorrerão, preparando doutrinas e táticas baseadas até em equipamentos e tecnologias que ainda nem apareceram, mas cuja existência já é tida como certa. Entendem que muitos dos vetores hoje em seus arsenais estão irremediavelmente superados e que teriam pouquíssimas chances de sucesso num conflito futuro. Continuam operando-os por razões econômicas, para treinamento, e principalmente como uma ponte entre o hoje e a chegada de seus novos vetores, equipamentos e tecnologias.
É bem provável que o PAK FA nunca venha a enfrentar o Raptor. Pode ser até que o início da sua vida útil encontre no tempo o final do período operacional do caça norte-americano.
Porque em dezembro deste ano, e após um ciclo de desenvolvimento de apenas dois anos, a Boeing fará voar o Phantom Ray, um SANT (Sistema Aéreo Não Tripulado) – numa alusão nossa à nova nomenclatura da USAF, que chama suas aeronaves não tripuladas de UCAS (Unmanned Combat Air Systems) e não mais de UCAV (Unmanned Combat Air Vehicle) –, por enquanto um “caça” de ataque capaz de realizar missões antirradar, de ataque estratégico e tático e até de ser reabastecido autonomamente em voo, mas que permite vislumbrar um futuro não muito distante de VANTs de superioridade aérea.
Em 2012, deverá ser lançado, pela primeira vez, de um porta-aviões da Marinha Norte-americana o X-47B, uma aeronave não tripulada cujo objetivo é demonstrar a viabilidade de se operar tais sistemas de navios aeródromos inicialmente em meio às aeronaves tripuladas. Mas não são só estes sistemas que já estão sendo desenvolvidos. O X-51, uma aeronave hipersônica capaz de voar a Mach 6 utilizando um motor scramjet, foi lançado de um Boeing B-52 em 26 de maio deste ano com grande sucesso. Com a rapidez com que as coisas estão andando, é possível que quando os vetores daqueles que estão à reboque dos que ousam expandir o envelopes do possível para vencer os combates do futuro chegarem ao que se faz hoje, encontrarão nos céus caças não tripulados invisíveis, possivelmente hiper-rápidos e super manobráveis constituindo-se diante dos quais em pouco mais do que cópias bem feitas de uma tecnologia que não ficou esperando sua chegada.
O que se deve observar é que para a guerra moderna, é preciso estar sempre a par do que vem por aí desenvolvendo suas doutrinas e políticas de acordo. Caso contrário corre-se o enorme risco de jogar dinheiro fora para chegar somente... ao presente!
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Índice
Sabre!!!

O Mi-35 debuta com o Esquadrão Poti na Amazônia!
Por: Renato Otto

A chegada do 2º/8º GAV a Porto Velho e a incorporação dos novos vetores AH-2 Sabre pela unidade demonstram claramente a prioridade dada pela Força Aérea à fronteira Oeste. As Forças Armadas brasileiras vêm alocando a cada dia mais homens e meios para resguardar nossas fronteiras na Amazônia. Estivemos recentemente na Base Aérea de Porto Velho para acompanhar de perto essas mudanças. Pág. 44
Sukhoi PAK-FA

O Stealth Russo
Por: Fábio Castro

Sem sombra de dúvida, o maior acontecimento da aviação militar nos últimos seis meses foi o voo do mais novo caça russo de quinta geração, o Sukhoi T-50. Utilizando tecnologias muito parecidas com as que foram reunidas para compor o Lockheed/Boeing F-22 Raptor, os russos mais uma vez tentam recuperar o espaço perdido no gap tecnológico que historicamente os separa da aviação de combate norte-americana. De acordo com os relatos iniciais analisados aqui por Fábio Castro, a nova aeronave visa igualar o balanço tecnológico perdido quando o Raptor realizou seus primeiros combates simulados há alguns anos atrás. Se o programa T-50 irá se desenrolar a tempo de realmente trazer paridade à Força Aérea Russa, ou se é uma desesperada tentativa de não ficar para trás na guerra aérea ainda é a grande interrogação que cerca este programa impressionante. Vale a pena conhecê-lo de perto... Pág. 28
FLIR Última Geração

O Star Safire III entra em operação na noite brasileira
Por: Luciano R. Melo Ribeiro

A cada dia, o emprego de sensores infravermelhos e eletro-ópticos torna-se mais usual em forças armadas e parapúblicas mundo afora. Para o segmento aeronáutico, principalmente quando empregado no período noturno, essa prática tem feito a diferença. As mudanças nesse importante setor do segmento aeroespacial de defesa vêm ocorrendo cada vez mais rápido, os equipamentos permitindo vantagens operacionais que colocam os operadores sempre à frente de seus oponentes. No Brasil, o mercado de imageadores térmicos é dominado pela FLIR Systems que mostra as modificações que integram a sua nova família. Pág. 56
VC-2!

Voando com o PresRep nas asas do GTE
Por: José Leandro P. Casella

Poucos chefes de Estado têm o privilégio de realizar suas viagens oficiais em uma aeronave fabricada em seu país de origem. Isso porque poucos países possuem uma indústria aeronáutica capaz de atender aos requisitos de uma aeronave presidencial. Desde 2009, o presidente da República do Brasil é um desses seletos chefes de Estado, pois a FAB introduziu em serviço o Embraer EMB 190PR (VC-2), a primeira aeronave presidencial de fabricação nacional a servir no Grupo de Transporte Especial (GTE). Pág. 64
Escudo de Aço!

O Brasil busca a modernização de sua defesa antiaérea
Por: Júlio César Caldas

Decorrida a primeira década do milênio, ainda há quem confunda investimentos em defesa com anseio por conflitos armados. O fato é que esses conflitos continuam se sucedendo, sendo a dissuasão o melhor caminho para se manter a paz. Para se alcançar essa capacidade, torna-se imperioso investir em um permanente programa de reequipamento das Forças Armadas. Quanto à defesa antiaérea, inserida nesse contexto, e cuja relevância se constata nos conflitos atuais, observa-se ser determinante a constante modernização de seus meios de forma que ela não se torne o elo mais fraco a ser rompido... Pág. 76
Gordo. A Saga de um Esquadrão Imprescindível

A história do 1º/1º GT
Por: Jackson Flores, Jr.

Por vezes, a incorporação de uma aeronave ao inventário de uma unidade aérea contribui decisivamente para moldar sua personalidade operacional. Esses vetores ao serem recebidos agregam novas tecnologias e novos conceitos de emprego tornando esses esquadrões unidades diferenciadas. É o que aconteceu com 1º/1º GT, o Esquadrão Gordo, e seu inseparável companheiro - o Lockheed C-130 Hercules! Pág. 88
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