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Editorial

Com a decisão sobre o seu futuro caça se aproximando de um desfecho, uma vez que qualquer hesitação daqui para frente coloca o país numa situação complicada no balanço de forças continental, fecha-se o período de maior monta do programa de reposição de peças da Força Aérea Brasileira. Com exceção de alguns poucos equipamentos que complementarão a ordem de batalha da Força, a FAB dos próximos 20 anos, pelo menos, já está operacional.
Nestes 15 anos em que a Força Aérea capturou a maior parte do imaginário militar, tanto no governo quanto na mídia, uma nova realidade veio à tona, só que desta vez no mar.
Foram descobertas enormes reservas de petróleo nas camadas submarinas do pré-sal, e o volume de exportação de commodities e produtos agrícolas brasileiros cresceu exponencialmente nesse período. Nunca antes a plataforma continental brasileira e a importância do livre tráfego de embarcações nas rotas marítimas de interesse do país significaram tanto. Para tal, a Marinha desenvolveu o conceito da Amazônia Azul, uma área marítima de tamanho equivalente à maior região brasileira e com o mesmo potencial ainda pouco explorado de riquezas de toda sorte.
A fim de garantir a soberania plena sobre o mar territorial brasileiro, e dos interesses navais do país, a Marinha do Brasil vem se preparando para um desafio idêntico àquele enfrentado pela FAB na última década e meia: a reformulação de sua doutrina e a atualização de seus meios operativos.
O processo já vem sendo implementado, as áreas mais visíveis sendo programas em andamento como o PROSUB, que atualizará a frota de submarinos e alguns programas que desembocaram na entrada em operação de novos helicópteros.
No entanto, pode-se dizer que, se a FAB já vislumbra o final de seu processo de atualização, a Marinha adentra o início deste esforço.
É para discutir temas dentro dessa realidade de atualização militar que resolvemos lançar neste momento um número voltado exclusivamente para a Guerra Aeronaval, um ambiente de combate entre os mais dinâmicos e complexos para países com grandes faixas costeiras e que dependem de suas vias de tráfego marítimo para sobreviver.
Se antes a imensidão do mar permitia a chegada não anunciada de frotas em locais onde seriam capazes de exercer pressão sobre inimigos verdadeiros ou potenciais, hoje a tecnologia disponível para avanços ultravelozes nas áreas de vigilância e comunicações faz com que ocultar um grupo-tarefa em mar aberto seja missão praticamente impossível.
Como ficou mais fácil localizar os navios do inimigo, e coordenar as ações ofensivas contra eles, foi também simplificada a tarefa de engajá-los. Os sensores enxergam cada vez mais longe e as armas possuem alcances infinitamente maiores. Resultado: a sobrevivência de navios de guerra no mar passou a exigir armamento, sensores e meios de coordenação ainda mais capazes.
E, além disso, o momento no qual a Marinha organiza o seu reequipamento aponta para avanços ainda maiores nessas áreas, o que aumenta sua responsabilidade de ler o futuro e tomar as decisões certas, na hora adequada e dentro de sua realidade econômica. A seguir, alguns dos temas sobre os quais seus especialistas certamente estão se debruçando...
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Índice
O Maior Desafio

A Guerra Antissubmarino na Nova Era
Por: Carlos Lorch

Ao ingressarem no século XXI, diante da vertiginosa evolução tecnológica alcançada nos últimos anos e aplicada aos meios bélicos, Marinhas com a responsabilidade de assegurar o fluxo mercante e zelar por pontos estratégicos posicionados ao largo do litoral têm se defrontado com uma desafiadora ameaça – o submarino. Vários são os meios utilizados e as técnicas empregadas para se fazer frente a ele, uma plataforma projetada para bem explorar sua capacidade de ocultação. Diante desse desafio, resta aos comandantes preparar suas forças e conhecer a fundo a forma como ele combate e se oculta, para destruí-lo ou colocá-lo na defensiva. A seguir, uma apresentação sobre a Guerra Antissubmarino, modalidade que se caracteriza por ser a mais complexa e a única que se desenvolve nas três dimensões do planeta. Pág. 34
Novos Rotores sobre os Mares!

Entram em serviço os novos helicópteros da Marinha do Brasil
Por: José Leandro P. Casella

A partir de 2012, a Aviação Naval passa a contar com dois novos modelos de helicópteros multiemprego. Operando tanto de bases terrestres como embarcados, o Eurocopter EC725 Super Cougar e o Sikorsky S-70B Seahawk serão os principais vetores navais quando o assunto for, respectivamente, Guerra Antissuperfície (ASuW) e Guerra Antissubmarino (ASW). Pág. 24
Arma de Projeção

O porta-aviões no século XXI
Por: Luciano R. Melo Ribeiro

Com orçamentos cada vez mais limitados, Marinhas de porte médio têm procurado otimizar seus recursos canalizando-os para programas que efetivamente fortaleçam o Poder Naval do país. Assim abre-se uma importante discussão: concentrar recursos em programas como o de um NAE, com sua aviação de combate embarcada, ou o de uma flotilha de submarinos, equipada inclusive com os de propulsão nuclear. Ambos agregam efetiva capacidade de combate às suas forças, além de enorme poder de dissuasão, no entanto, demandam vultosos recursos para serem implantados e mantidos em condições de combate. Fato que, por vezes, pode torná-los excludentes... Pág. 46
Antissuperfície!!!

O braço cada vez mais longo dos mísseis antinavio
Por: Lon Nordeen

Quando a lancha egípcia da classe Komar nº 504 lançou os primeiros mísseis antinavio P-15 contra o destróier israelense Eilat, foi aberto um novo capítulo na história da guerra no mar. Tais armas não eram uma novidade posto que os alemães haviam sido pioneiros nessa área durante a Segunda Guerra Mundial. Mas o embate registrado diante de Porto Said, em outubro de 1967, alterou profunda e irrevogavelmente a forma com que operações navais passariam a ser conduzidas a partir daquele momento. Quando começaram a ser disparadas de aeronaves, então, muitos dos paradigmas que norteavam a maneira de conduzir operações no mar vieram – literalmente – água abaixo. Pág. 56
"Abracadabra!"

A Marinha do Brasil e a busca de um novo utilitário

O versátil helicóptero Esquilo da Marinha do Brasil aproxima-se do limite de sua vida útil, com previsão de voar, pelo menos, até o final da década. Qual será o perfil do substituto dessa aeronave que hoje constitui a base das dotações dos esquadrões de Emprego Geral? A quais requisitos o novo helicóptero utilitário da MB deverá atender? Pág. 66
O Escudo da Frota

A defesa antiaérea no teatro de operações marítimo
Por: Carlos Lorch

O grau de preocupação com a ameaça aérea a um grupo-tarefa no mar é diretamente proporcional ao raio de ação das aeronaves inimigas e ao alcance eficaz e a letalidade de suas armas. Ao longo dos anos, na tentativa de superar deficiências materiais, quase sempre presentes, em face da acelerada evolução tecnológica de vetores e armas, estrategistas navais vêm aperfeiçoando táticas e procedimentos operativos para fazer frente a essa implacável ameaça... Pág. 76
Pearl Harbor 70 Anos! - O Maior dos Ataques!

7 de dezembro de 1941 - O dia em que o Sol Nascente veio do Norte!
Por: Marcelo Mendonça

Sete décadas se passaram desde o devastador ataque japonês à base norteamericana de Pearl Harbor, no Havaí. Este dramático episódio foi determinante para o ingresso do EUA na Segunda Guerra Mundial, mudando decisivamente o curso da guerra. Um perfeito entendimento dos principais acontecimentos e desdobramentos do ataque japonês à base americana no Pacífico nos possibilita uma melhor compreensão da evolução da guerra no mar. Como exemplo, podemos citar a importância que passou a ser atribuída às ações bélicas desencadeadas por forças-tarefa nucleadas em porta-aviões. Pág. 84
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