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Edição nº 103

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Edição nº 103  
 Janeiro de 2017

Editorial

Por mais que a Europa concentre alguns dos vetores militares mais modernos do mundo, os recentes acontecimentos ocorridos naquele continente levantam uma questão que convém ser analisada e que pode mudar os rumos de como será pensada e conduzida a defesa das nações no futuro.

Por mais que avançados caças Eurofighter, mísseis de longo alcance como o Meteor, navios de guerra do tipo FREMM e outros vetores de alta visibilidade estejam no estado da arte entre os principais artefatos militares do planeta, nenhum deles evitou ataques terroristas que assolaram o velho continente como o de 11 de março de 2004, quando dez bombas detonadas por controle remoto explodiram em diversos pontos da principal linha ferroviária da capital espanhola matando 191 pessoas e ferindo 2.050. Ou nos de 7 de julho de 2005 contra o metrô de Londres e que resultaram em 56 mortos e mais de 700 feridos. Ou ainda nos hoje famosos ataques de 7 de janeiro de 2015 quando terroristas armados de fuzis automáticos invadiram a redação da revista humorística francesa Charlie Hebdo causando uma carnificina que deixou 20 mortos e 22 feridos além da autoestima francesa no chão. Ataque este que foi seguido pelos de 13 de novembro de 2015, e que deixaram Paris à mercê do terrorismo internacional. Em 22 de março deste ano, uma série de explosões atingiu o aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, matando 35 pessoas e ferindo 330. Finalmente, em 14 de julho um caminhão conduzido por um terrorista saiu atropelando transeuntes que faziam o trottoir, na célebre Promenade des Anglais, em Nice, no feriado que comemora a Queda da Bastilha, principal feriado da França. Resultado: 86 mortos e 434 feridos. Ao todo, entre o ano 2000 e hoje, quase 600 pessoas foram mortas e 4.100 feridas em inúmeros ataques no continente europeu. Nenhuma das armas citadas acima foi capaz de impedir a entrada em massa, ou a transformação de cidadãos em terroristas no território europeu.

As últimas décadas têm deixado flagrante o fato de que a guerra mudou. Ela está rapidamente deixando de ser convencional para assumir um caráter irregular contra o qual armamento convencional de pouco adianta. Para operações punitivas, ou para atingir células e campos de treinamento fora do continente, armas convencionais ainda são enormemente necessárias, mas já está claro que a guerra moderna irá correr por duas avenidas bem definidas. A primeira será no âmbito da segurança interna, composta de equipamento de guerra cibernética de vigilância e de controle digital, e aí serão fundamentais os drones e robôs de diversos tipos, e o domínio das comunicações e da vigilância ótica e eletromagnética o que requer a existência de olhos no céu e no espaço. A segunda via utilizada para conduzir a guerra moderna será a dissuasória, e que permitirá que determinada nação seja capaz de evitar incursões militares convencionais ou de projetar poder sobre o território inimigo, seja ele convencional, como vem fazendo a Rússia na Ucrânia, ou irregular como o que coloca forças francesas contra jihadistas islâmicos no Mali.

É muito provável que num futuro próximo o mundo seja testemunha de um fechamento de fronteiras nacionais ou continentais em países como os Estados Unidos, os da Europa e a Austrália, com o uso de meios convencionais, seguido de uma deportação seletiva de terroristas e simpatizantes aos que se chegará através do uso da arma cibernética. Uma vez realizado este expurgo da ameaça do terror dentro de suas fronteiras, bastará que as nações empenhadas nesta luta fechem as aproximações a seus territórios postando equipamento convencional nas fronteiras, e realizem uma aceitação migratória seletiva, utilizando os seus meios digitais e de vigilância para literalmente separar o joio do trigo. Já se vê este cenário no horizonte através da declaração do futuro presidente norte-americano de que deportará imigrantes “ilegais, envolvidos em crimes ou que ofereçam ameaça”. O armamento convencional continuará fazendo parte dos arsenais de todas as nações do planeta, porém as suas aquisições disputarão o orçamento com redes de vigilância digital tendo que ser redimensionados e melhor gerenciados.

No caso do Brasil, isto significará uma importante busca por aeronaves remotamente tripuladas e satélites, tanto de vigilância quanto de comunicações. E um melhor controle de fronteiras que até aqui não têm sido invadidas pelo terrorismo internacional.

 


Índice

Adelphi!        
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O 1o/16o GAV. 1989-2016 – O Fim de Uma Era em Santa Cruz!
Por: Marcelo Mendonça

Em fins dos anos 1980 o Brasil colocou em uso o AMX. Ele incorporava moderníssimos sistemas e conceitos para a época, como os comandos do tipo HOTAS (Hands on Throttle And Stick – mãos na manete e no manche) e controles fly-by-wire. Era dotado ainda de um HUD (Head-Up Display – visor ao nível dos olhos) e de um HDD (Head-Down Display – tela no painel), que já substituía alguns dos mostradores analógicos comuns nos aviões da época. Possuía um novo e moderno barramento de comunicação e seus computadores permitiam um voo com maior detalhamento, inclusive com projeção de informações de voo e de alvos no HUD. Isto fazia que pudessem ser adotados os modos de ataque CCIP/CCRP (Continuously Calculated Impact Point/Continuously Calculated Release Point – ponto de impacto continuamente calculado/ponto de lançamento continuamente calculado), fazendo com que fossem possíveis ataques de alta precisão mesmo com armamento convencional. O avião também estava equipado com uma suíte ECM (Electronic Counter Measures – Contramedidas Eletrônicas) on board e um equipamento de alerta radar – RWR (Radar Warning Receiver). Para introduzir esta aeronave em serviço na FAB, foi criada uma unidade que teve grande importância na história da Força. Estamos falando do 1o/16o GAV. Esquadrão Adelphi.   Pág. 30

Memórias de Um Tempo de Vitórias!        
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Três Décadas de Adelphis ao Redor da Mesa Redonda
Por: Mediador: Carlos Lorch AH19

Há 28 anos atrás, nascia na lendária Base Aérea de Santa Cruz o 1o/16o GAV, o Esquadrão Adelphi, que tinha como missão o ataque tático e estratégico, utilizando o caça-bombardeiro Aeritalia/Aermacchi/Embraer AMX, designado pela FAB como A-1. Ao longo do tempo, aquela unidade deixou a sua marca na Aviação de Combate Brasileira. Além de validar o caça-bombardeiro ítalo-brasileiro e a sua missão, trazendo para o país uma capacidade estratégica que o Brasil jamais teve, preparou diversas gerações de pilotos de ataque. Além disso, foi capaz de reescrever todo um novo capítulo na aviação de combate brasileira ao amalgamar suas diversas vertentes numa nova maneira de combater. Para colocar estas realizações e as diversas décadas de operação desta unidade especial em perspectiva, a Revista Força Aérea teve o privilégio de reunir quatro comandantes do Dezesseis para uma interessantíssima mesa-redonda. Contamos para tal com o Adelphi 01, o Brigadeiro-do-Ar Teomar Fonseca Quírico, um experiente piloto de F-5E/B a quem foi confiada a formatação a implantação do Esquadrão no final dos anos 1980. O hoje Tenente-Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, que, não só enfrentou o que talvez tenha sido a maior crise da unidade, logo após o único acidente fatal que vitimou seu então Comandante, o Tenente-Coronel César Bombonato, mas que ajudou a fomentar, com a sua forma toda especial de liderança o que se tornaria uma revolução operacional na própria Força. O Coronel-Aviador Sérgio Rodrigues Pereira Bastos um dos pilotos mais voados na aeronave A-1, com importante experiência operacional e vivência efetiva na unidade ao longo de mais de uma década de importantes mudanças, como piloto operacional, operações e comandante. E, o atual comandante do esquadrão, o Tenente-Coronel Roberto Martire Pires, o mais moderno, porém não menos experiente entre estes quatro Adelphis que nos brindam com algumas de suas vivências nesta unidade especial da Força Aérea Brasileira que em breve deixa de operar o A-1 preparando-se para um futuro vindouro.   Pág. 44

Profissionalismo e Tecnologia        
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O Dia a Dia do PAMA-SP
Por: Leandro Casella

Um dos mais importantes centros de manutenção e logística da Força Aérea – o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), completou em 2016, 75 anos de atividade ininterrupta. Responsável atualmente por todos os projetos de asas rotativas e de defesa aérea da Força, o PAMA-SP já volta os seus olhos para o futuro, pois será dele a responsabilidade de gerenciar o projeto de logística e manutenção dos F-39 Gripen, os novos caças da Força Aérea Brasileira.   Pág. 22

Um Aggressor Brasileiro!        
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As Aventuras de um piloto do Pampa no nascimento do combate dissimilar na FAB
Por: Luiz Nogueira Galetto

USAF AIR COMBAT INSTRUCTOR (Instrutor de Combate Aéreo da Força Aérea dos Estados Unidos), diz o meu título, certificado, emoldurado e exposto hoje com muito orgulho na parede do meu escritório. Refere-se a um curso da USAF, semelhante ao TOP GUN da US NAVY, Marinha dos Estados Unidos, tornado conhecido através de um filme, com esse nome, estrelado por Tom Cruise em 1986. Estes seis primeiros pilotos foram a base para criar toda uma nova doutrina de combate aéreo na FAB.   Pág. 62

Red Tails!        
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Os Históricos Esquadrões de Tuskegee na Segunda Guerra Mundial.
Por: Marcelo Mendonça

Uma esquadrilha de bombardeiros americanos North American B-25 Mitchell rumava para seus alvos na região de Castelvetrano, Itália. Era 2 de julho de 1943 e os Aliados se preparavam para a invasão da Sicília, marcando o início da campanha de retomada da Europa. Realizando a sua escolta estavam caças Curtiss P-40L Warhawk da USAAF (United States Army Air Forces – Forças Aéreas do Exército Americano). Se não bastasse a própria Reggia Aeronautica, a Força Aérea da Itália Fascista como ameaça aos atacantes, a temida e poderosa Luftwaffe ainda possuía forte contingente no país. Eram todos veteranos experientes da campanha do norte da África, e eles não tardaram a aparecer. Os P-40L da escolta fizeram o seu trabalho e na dura refrega que se seguiu, o 1st Lt. Charles B. Hall do 99th Fighter Squadron (99th FS), em sua oitava missão de combate, derrubou um Focke-Wulf Fw 190 “Würger” alemão. Esta seria apenas mais uma vitória ar-ar Aliada se não fossem alguns detalhes. O Tenente Charles B. Hall era negro e a sua unidade, o 99th FS, era composta única e exclusivamente por afro-americanos. A primeira vitória ar-ar da unidade e de um piloto negro foi um marco não apenas por fazer cair por terra uma aeronave inimiga, mas por ter sido também mais um passo na longa luta contra a intolerância racial nos EUA. O piloto e sua unidade faziam parte de um projeto que para uns trazia a esperança de demonstrar que os negros eram tão capazes quanto qualquer um, e para outros, o desejo de comprovar exatamente o contrário. Sobre seus ombros pesavam muito mais do que a já difícil responsabilidade de vencer a guerra contra o Eixo, mas também, outra guerra real, a do racismo e da desconfiança. Lutando contra tudo e contra todos, aqueles homens forjariam seus nomes na História e mostrariam ao mundo do que eram capazes. Eles eram os Tuskegee Airmen.   Pág. 68

                                                                                                                                                                                                               

 
 

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